Pernambuco

Unidades do IFPE em sete cidades funcionam de maneira improvisada

Sete unidades do Instituto Federal de Pernambuco (IFPE) funcionam de maneira improvisada nas instalações de faculdades particulares e escolas municipais. Em 2012, esses municípios foram selecionados pelo programa de expansão da entidade para receber novos campi, que deveriam ter sido erguidos no ano seguinte. Hoje, apenas um local está em obra, no Cabo de Santo Agostinho. Nas outras seis cidades, nada foi feito.

A realidade em Olinda, Jaboatão dos Guararapes, Paulista, Abreu e Lima, Igarassu e Palmares é a mesma: os terrenos foram doados pelas respectivas prefeituras, como contrapartida municipal, mas nenhuma obra foi realizada. A denúncia foi veiculada no NETV 1ª Edição desta terça-feira (6). A reitora do IFPE, Anália Ribeiro afirmou que houve problemas contratuais nos projetos dos campi.

Olinda foi onde a doação do terreno mais demorou, uma vez que a prefeitura e o antigo proprietário da área escolhida não chegaram a um acordo. O caso só se resolveu na Justiça, no ano passado. Uma placa indica que ali deveria ser feito um serviço de terraplenagem para construção do campus do IFPE, mas o abandono do poder público transformou o lugar, que fica em Casa Caiada, num lixão. São restos de materiais de construção, móveis e eletrônicos velhos, roupas, calçados, animais pastando e nenhuma máquina trabalhando por lá.

Os futuros técnicos assistem aula na Escola Municipal Robinson Cavalcanti, em Jardim Atlântico, que funciona como sede provisória. As primeiras turmas, em Olinda e nas outras seis cidades, começaram em 2014.

A situação verificada no município vizinho de Paulista é a mesma. O terreno, doado em 2013, fica no antigo campo de aviação da família Lundgren, em Maranguape 1. Em três anos, nada foi feito. O que deveria ser um campus do IFPE é um campo de futebol. Enquanto isso, a unidade funciona no prédio da Faculdade de Saúde de Paulista (Fasup).

“Temos dificuldades com laboratórios. Os professores se esforçam, mas falta estrutura. A gente corre atrás do estudo, entra num Instituto Federal pensando que as condições vão ser melhores e fica nessa situação”, lamenta o estudante Iury Wallace.

Os alunos reclamam que, ao lado do prédio da faculdade, funciona uma granja. E também se queixam de quedas de energia recorrentes. “Tem muito pombo e mosca por causa da granja. Isso atrapalha as aulas. A parte elétrica vive dando problema, o laboratório é precário, é um desleixo do governo com a gente”, critica o estudante Douglas Dantas. O colega dele, Bruno Henrique Cataldi, complementa: “A gente também sofre com o barulho da estrada, porque as salas não são acústicas”.

Em Jaboatão, a obra parou na terraplenagem. O novo campus vai funcionar numa área que pertencia à Usina Bulhões e que equivale a quatro campos de futebol. Sem sinal de obras ou máquinas trabalhando há meses, o mato voltou a crescer no piso de barro. Em Igarassu, o campus do IFPE também não saiu do papel. O terreno, às margens da BR-101, com canavial de um lado e outro, foi cedido pelo município há mais de dois anos e não houve nenhuma construção.

IFPE do Cabo de Santo Agostinho segue em obras; prédio devia ter sido entregue há meses (Foto: Reprodução/TV Globo)IFPE do Cabo de Santo Agostinho segue em obras; prédio devia ter sido entregue há meses (Foto: Reprodução/TV Globo)

IFPE do Cabo de Santo Agostinho segue em obras; prédio devia ter sido entregue há meses (Foto: Reprodução/TV Globo)

Obra
O único campus do IFPE que está sendo, de fato, construído é o que fica no Cabo. O Ministério da Educação (MEC) liberou R$ 10 milhões em setembro para retomar a obra, que, de acordo com a placa fincada na frente do terreno, deveria ter ficado pronta há mais de seis meses.

A reportagem da TV Globo esteve lá e encontrou operários trabalhando no local. A unidade do instituto federal fica numa área chamada Convida Suape, um projeto de cidade planejada lançado em 2012 e que deveria abrigar empreendimentos comerciais e unidades habitacionais, com circulação de 100 mil pessoas e interlocução com o Porto de Suape. Quase nada foi feito. Ao redor do futuro IFPE, apenas um mar de barro.

Resposta
Em entrevista, a reitora do IFPE, Anália Ribeiro afirmou que houve problemas contratuais nos projetos dos campi. “Tivermos problemas na nossa firma, que já foram sanados. O estágio de dominialidade já foi concuido em todos os novos campi. Agora, falta o processo de licitação para contratar firmas e projeções. O projeto de Abreu e Lima já está concluído e, até o fim do primeiro semestre de 2017, o projeto dos seis outros campi estarão em fase de conclusão”, disse.

Sobre a previsão de entrega dos novos prédios, a reitora afirmou que a previsão é de dois a três anos, seguindo o padrão de outras obras já realizadas no instituto. “Após a licitação, dependemos de provisões orçamentárias. O Campus Cabo de Santo Agostinho, por exemplo, deve ser entregue no fim do primeiro semestre do ano que vem. As obras já estão 60% concluídas e chegaram à fase de finalização”, afirmou Amália.

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