Belo Jardim Histórico

Serra do Vento: o distrito que já foi cidade

Alguns trabalhos sobre historiografia brasileira apontam com notoriedade que o povoamento das cidades interioranas do nordeste brasileiro no século XIX e, sobretudo nas regiões sertão e agreste, estabeleceu-se através da doação de terras (Sesmarias) conferidas tanto a portugueses, quanto a demais pessoas que obtivesse uma boa relação com o governo português e, que comprometessem a tomá-las dinâmicas. O Sr. de engenho chamado de João de Deus da Fonseca instalou-se nestas terras, juntamente com a família de Francisco Xavier em 1812.

Ainda seguindo um viés memorialístico da época, salientasse que o senhor de engenho João de Deus, era um homem muito religioso e doou um terreno para Francisco Xavier construir uma capela para as missas dominicais em meados de 1815. A capela foi construída voltada para as serras, pois esta ficava de frente para a residência do Sr. João de Deus. Entretanto, com o passar dos anos outras famílias começaram a residir na localidade.
A designação dada às terras do distrito de Serra do vento como podemos constatar anteriormente, foi de sítio “O Pinto” mas esse nome não permaneceu por muito tempo. De acordo com Lima: “Um dia um frade missionário, viu que o lugar era cercado de serras e existia fortes correntes de ar (Ventos), e este povoado era chamado de “O Pinto”, então, “Ele” (o missionário) deu o bonito nome de Serra dos Ventos, o qual continua, sendo chamado até hoje”.

Entre os anos de 1929 e 1930, fazendo um paralelo com a configuração essencialmente agrária do país e, com o período que coincidiu com a crise mundial dos preços do café, Serra do vento destacou-se na região como um dos principais produtores desta monocultura.
Nesse período, vale salientar que outras monoculturas também passaram a ser cultivadas aqui, como por exemplo: O cultivo do algodão, da mamona e, da cana de açúcar que foi setor de fundamental relevância para absorver toda mão de obra do campesinato local.

O ciclo das monoculturas na localidade proporcionou a muitos agricultores, a oportunidade de ficarem perto de suas famílias.
Durante a década de 1940 e 1950, o distrito de Serra do Vento era iluminado à base de lamparinas, isto é, lampiões que eram estalados nas casas e pontos considerados estratégicos da comunidade.Nesse período, juntamente com as lamparinas funcionava um motor a diesel, trazido pelo prefeito de Brejo da Madre de Deus Pedro Guenes, para melhor iluminar o distrito e ao mesmo tempo na tentativa de levar Serra do Vento a pertencer aos quadros administrativos e políticos da cidade de Brejo.

No entanto, no ano de 1958 durante o governo de Pernambuco de Cid Sampaio (1959- 1963), foi inaugurada a energia de Serra do Vento. Esse acontecimento alterou de maneira significativa a localidade, uma vez que deu um maior dinamismo e impulsionou o crescimento econômico e urbano do lugar. Com a chegada da energia elétrica a comunidade, os engenhos de cana – de – açúcar, uma das principais fontes de renda da época e, que antes era movido tanto à tração animal, isto é, bois, quanto à queima de material vegetal, passaram a utilizasse da energia para aumentar sua produção significativamente.

Serra do Vento se torna Cidade em 1964

Em janeiro, já com Serra do Vento elevada a categoria de cidade, aconteceu às articulações políticas para compor os quadros administrativos do novo município, bem como a escolha do chefe do poder executivo municipal.
Em 14 de Fevereiro de 1964, foi nomeado prefeito de Serra do Vento pelo governador do Estado de Pernambuco, Miguel Arraes, o jovem Hélio Leite Cavalcanti, filho do empresário José de Souza Cavalcanti, dono da fábrica de doces Mariola em Belo Jardim.
No dia 04 de Março de 1964 ocorreu a posse de instalação do Município de Serra dos Ventos, na ocasião o prefeito de Belo Jardim a época, Júlio Alves não se fez presente, pois não aceitava a emancipação

Logo após a instalação do Município de Serra dos ventos, o prefeito de Belo Jardim, Júlio Alves de Lira e o deputado Luís de França Cavalcanti da Costa Lima, entraram na justiça com o mandado de segurança contra a emancipação dos distritos de Serra dos Ventos e Xucuru, ambos pertencentes a Belo Jardim. Com isso, no final do ano de 1964 e depois de passar meses para ser julgado o veredicto final, isto é, se Serra dos Ventos permanecia como Município ou voltaria à categoria de distrito, foi designado para julgar o referido processo o Juiz Sebastião Cabral.
Em 20 de Novembro de 1964 na ponte conhecida como “ponte do rio peixe” nas proximidades das cidades de Belo Jardim e Tacaimbó, um ônibus da companhia Auto viação Princesa do Agreste, atualmente companhia Princesa do Agreste, despencou da ponte matando ali o Juiz Sebastião Cabral e mais 28 passageiros.

Quando o prefeito do Município de Belo Jardim Júlio Alves de Lira, adentrou na justiça com o mandado de segurança contra o distrito de Serra dos Ventos e conseguiu interromper a emancipação, já fazia três meses que o mesmo, estava instalado como município. Daí o processo vinha se arrastando no fórum, até que foi designado o Juiz Sebastião Cabral para julgar o veredicto final em Novembro do ano em curso. Para infelicidade dele, e para infelicidade política do distrito de Serra dos Ventos, teve esse trágico acidente. Depois desse ocorrido o processo encerrou, pois não houve mais ninguém interessado em recorrer na justiça contra o mandato de segurança.

Podemos compreender que o fato do juiz designado para julgar o processo final ter falecido, não foi o fator determinante para decidir o destino político do distrito de Serra dos Ventos. Mas, sim o fato de não contarmos mais com o apoiou do Deputado Estadual José Inácio, que teve seu mandato cassado pelo Regime Militar.

Texto: José Cássio

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