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Pesquisa atesta eficácia de vacina que diminui sintomas da rinite

Pessoas que têm rinite alérgica sabem o quão difícil é conviver com os sintomas da doença. Entre os diversos tratamentos disponíveis para aliviar os problemas diários, estão as medicações orais e vacinas que prometem diminuir o quadro clínico. Uma pesquisa desenvolvida na Faculdade de Medicina de Jundiaí (FMJ), em São Paulo, por quase dez anos e publicada recentemente analisou a eficácia da imunização que combate os sintomas dessa condição em 281 pacientes. O resultado pode ser uma esperança para milhares de pessoas, já que 79% dos voluntários apresentaram significativa melhora na qualidade de vida.

Coordenada pelo otorrinolaringologista Edmir Lourenço, professor titular da FMJ, o levantamento tomou como base os principais sintomas das rinites alérgicas: coceira, espirro, secreção e entupimento nasal. A partir de então, os pacientes, com idade superior a 3 anos, foram submetidos a uma sessão de testes cutâneos para identificação das causas da alergia – que vão desde poeira doméstica, ácaros, fungos, pólen e até pelos de animais. “Utilizo vacinas específicas para tratamento de rinites alérgicas severas há mais de 30 anos em meu consultório. Percebia melhora significativa ou desaparecimento dos sintomas na grande maioria dos pacientes, mas não tinha um parâmetro quantitativo de resultados. A intenção do trabalho era divulgar os resultados positivos, já que na literatura médica existem poucos estudos quantitativos sobre o tema”, explica o médico.

O objetivo da imunização, que estimula a formação de anticorpos contra os alérgenos, é diminuir o máximo possível o quadro clínico dos pacientes que, muitas vezes, terminam desistindo dos mais diversos tratamentos uma vez que percebem pouca ou quase nenhuma melhora nos sintomas da rinite. “O estigma alérgico é hereditário, não desaparece nunca. Porém, se a pessoa não tem sintomas, é como se estivesse curada. Houve melhora global em toda a população estudada. Ninguém piorou ou permaneceu inalterado. A intenção da vacina é a melhoria da qualidade de vida. Se há uma melhora nos sintomas estudados, há também no sono, respiração nasal, humor do paciente, até no desempenho profissional”, explica.

O esquema de tratamento com vacinas proposto pelo especialista tem duração de 14 meses. A vacina injetável é preparada individualmente para cada paciente em laboratório especializado e administrada por via subcutânea, num total de 30 doses espaçadas sequencialmente em 4 frascos, com intervalos entre as doses variando entre 7 e 21 dias. Não há restrições médicas para quem se submeter às dosagens.

O paciente que se interessar pela vacina deve procurar o especialista que acompanha seu quadro de rinite e manifestar a vontade de tratamento com as imunizações. “O paciente deve conversar com o médico e saber se o especialista trabalha com vacinas dessensibilizantes específicas para inalantes, embasadas em testes cutâneos, e pedir o tratamento desta forma. As vacinas não existem comercialmente no mercado industrializado e também não são oferecidas pelo SUS (Sistema Único de Saúde) ou pelos convênios”, ressalta Lourenço. O custo da imunização gira em torno de R$ 1500.

O estudo, primeiro no País com dados quantitativos em relação à eficácia da vacina que combate os sintomas da rinite alérgica, foi publicado (em inglês) em março de 2016 na Scielo Brasil, banco de dados internacional.

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