Região

Doença que provocou morte de gado no Agreste pode ser botulismo

Especialistas suspeitam que a doença que atingiu bois, vacas e bezerros em Ibirajuba e São Bento do Una, no Agreste de Pernambuco, seja botulismo. De acordo com o diretor da clínica de bovinos da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) de Garanhuns, professor Nivaldo Azevedo, os sintomas levam a crer que trata-se da enfermidade provocada pela bactéria Clostridium botulinum.

“[A doença] provoca a flacidez da musculatura. Os bois não caminham, ficam deitados, sem comer, e morrem rapidamente, em 24h ou 48h, até uns 15 dias. Mas geralmente a morte é súbita ou rápida”, explica. Segundo o professor, diversos bois morreram em pelo menos três propriedades em Ibirajuba. Em uma delas, o proprietário perdeu mais de 20 animais.

A transmissão do botulismo se dá através do acesso às carcaças de animais contaminados e pela cama de frango, utilizada na alimentação dos bovinos. De acordo com a Agência de Defesa e Fiscalização Agropecuária de Pernambuco (Adagro), os animais também podem manifestar a doença bebendo água parada, geralmente rasa e esverdeada.

Ainda de acordo com o professor Nivaldo Azevedo, não há uma época definida em que o botulismo é transmitido, porém a situação de seca contribui para a contaminação. “Os animais têm carência de fósforo e são induzidos a comer ossos, buscam suprir a necessidade nas carcaças, que muitas vezes ficam expostas”, explica o professor. O botulismo não tem cura.

Um dos animais contaminados pela doença ainda não confirmada em Ibirajuba foi levado para a clínica de bovinos em Garanhuns e sacrificado. Uma análise clínica será realizada e o material será recolhido e enviado para realização de exames no Instituto Biológico de São Paulo. Nivaldo Azevedo também disse que a clínica recebeu uma informação de um caso parecido em Itaíba, também no Agreste. A orientação é que o animal seja levado à clínica para avaliação.

Prevenção

Mesmo sem a confirmação de que trata-se de botulismo, a Agência de Defesa e Fiscalização Agropecuária de Pernambuco (Adagro) recomenda que os produtores imunizem os animais contra a doença. Equipes da agência já estiveram nas propriedades para realizar necrópsia nos animais. A previsão é de que os resultados dos exames em São Paulo saiam em 10 dias.

As formas de evitar o botulismo incluem a eliminação dos cadáveres do pasto: os bichos mortos com sintomas da doença devem ser queimados e enterrados em covas profundas, longe de fontes de água. Também é necessário corrigir a deficiência de fósforo, fazer vacinação anualmente com reforço de 30 dias depois e oferecer alimentos que não estejam estragados ou em decomposição.

Fonte :

Ne10

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