Brasil

BC anuncia medidas de pagamento e Nubank continua a funcionar

O Banco Central divulgou na manhã desta terça-feira (20) medidas estruturais na economia do Brasil. Mesmo sem detalhar, o BC resolveu adiar a medida que mudaria a forma como os pequenos negócios se relacionam com os pagamentos à prazo. A notícia fez com que startups como o Nubank ficassem aliviados.

Atualmente, o lojista espera até 30 dias para receber o pagamento de seus clientes feitos através de cartões de crédito. Na última quinta-feira (15), o presidente Michel Temer e o Ministro da Fazenda Henrique Meirelles oficializaram uma medida com a intenção de reduzir o prazo para o recebimento dos lojistas. A ideia foi lançada junto a um pacote que tinha como objetivo estimular a economia.

O problema dessa alteração é que os bancos que são emissores de cartão de crédito teriam que esperar o pagamento dos clientes para receber o pagamento, aumentando o capital de giro das instituições financeiras. Por ter sido repentina, a alteração causaria problemas em todos os bancos, mas afetaria, em especial, os de menor porte, por não ter uma capacidade de financiamento tão grande.

Um dos que teriam sentido mais a alteração seria o brasileiro Nubank, que ameaçou fechar caso a medida fosse posta à frente. Em nota, o banco afirmou que a alteração no prazo prejudicaria muito quem “não está associada a grandes bancos com bilhões em caixa”.

Confira a nota completa:

“Como hoje os clientes pagam as suas faturas em média 26 dias depois de fazer suas compras, essa mudança aumentaria significativamente a necessidade de capital dos emissores de cartão de crédito. Empresas como o Nubank, que não estão associadas a grandes bancos com bilhões em caixa, seriam muito prejudicadas”, escreveu a startup.

“E mesmo que conseguíssemos acesso a esse volume de recursos, isso colocaria em risco o nosso modelo de negócio, que é baseado em sermos altamente eficientes para não termos que cobrar tarifas ou juros absurdos.”

O Nubank também ressaltou a defesa da livre concorrência, “única fonte sustentável de mudanças para atacar as distorções desse mercado”. “Mais competidores no mercado trazem mais alternativas de melhor qualidade e menor custo para consumidores e lojistas”, escreveu a startup.

“Apesar de entendermos a situação dos lojistas, especialmente no cenário recessivo do país, seria ingênuo imaginar que o custo desse capital não seria facilmente repassado para os próprios lojistas e consumidores através do aumento de outras tarifas e juros. Chega a ser irônico que uma medida com o objetivo de estimular a economia e beneficiar a sociedade possa ter o efeito oposto: o de colocar em risco a concorrência.”

Por fim, a startup comemorou o fato de que o Banco Central adiou sua decisão. O presidente do BC, Ilan Goldfajn, não comentou a questão na coletiva de hoje. Ele afirmou que haverá novas reuniões para discutir medidas mais específicas no primeiro trimestre de 2017. Possivelmente, a mudança no prazo de recebimento dos lojistas entrará nessas conversas do próximo ano.

“Felizmente, o Banco Central mostrou hoje que não haverá nenhuma mudança abrupta ou unilateral nas regras de pagamento, e que trabalhará com os emissores, adquirentes, bandeiras e fintechs para definir como eventuais medidas podem ser implementadas de maneira sustentável, gradativa e sem prejudicar a competição, tão necessária nesse setor altamente concentrado”.

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